Introdução à “informação”…
Pluralidade não é garantia de isenção e independência. Ser independente é ser livre do condicionalismo de determinadas agendas e ser criterioso. E quando se é criterioso o jornal deixa de ser o mero reflexo da sociedade, de assistir ao nível do seu público, para se transformar numa mais valia social, num factor de transformação social, entenda-se de mudança.Ora esta é uma realidade difícil de concretizar porque os conceitos enunciados são quase sempre operacionalizados em clara sujeição à política. Normalmente, para vincarem a “independência”, os editores destinam e abrem espaços importantes das edições à veiculação panfletária de banalidades partidárias, facciosas e pueris, que, muito longe de proporcionar o esclarecimento e elevação dos eleitores, contribuem sim para fechar o ‘orgão’ sobre si, sempre com a assinatura dos mesmos, de costas voltadas para os leitores.
É vulgar acreditarem que a solução editorial de dar espaço de “notícia” a todos os Introdução à “informação” local na área da internet partidos é garantia de isenção – numa primeira análise parece que sim. Mas não é. Um partido político “tem” notícia quando o que “faz” é notícia, porque um órgão de comunicação é uma “entidade” viva e não se comporta como uma parede que aceita impotente e sem protesto a colagem de um qualquer comunicado político de duvidosa relevância.
Efectivamente, o espaço concedido ao campo político é uma benesse de que os outros campos sociais não beneficiam.
Embora assumidos “Órgãos de Comunicação Social” mais se assemelham a “Órgãos de Comunicação Política”, porque se centram na política e nos partidos, que preenchem as primeiras páginas, deixando o resto da actividade social em plano secundário.A política é a administração da sociedade, coisa que não é propriedade dos partidos – alguns nem sequer sabem o que isso é – mas do cidadão comum que, de forma individual ou em associação, transforma diariamente o mundo em que vive e não possui fax nem é notícia.
A utópica “independência” é uma realidade que se encontra bem plasmada nos “jornais”. O campo editorial não é a “informação” mas a “comunicação”, que pouco ou nada tem a ver com factos mas com a interpretação desses mesmos factos. Não é condenável que um jornal se assuma “pró” ou “contra” qualquer coisa. A informação é uma ferramenta vital em qualquer gestão, não se pode gerir o que se desconhece. No caso dos jornais locais, semanais ou quinzenais,
a velocidade da circulação da informação ultrapassa-os, havendo casos em que ainda nem os “factos” terminaram e já se encontram publicados em blogs e sites. De algum modo os cibernautas acabam por fornecer notícias aos jornais. E a verdade é que condicionam mesmo a agenda política.Os jornais, apercebendo-se deste “filão” que é a Internet também já se estabeleceram online. Mas, então, que diferenças ainda subsistem em relação aos blogs?
A realidade dos blogs: primeiro, permitem a interacção com os visitantes; segundo, realizam trabalho de investigação e muitas das vezes apresentam-se com mais e melhor informação, porque na realidade não têm problemas de espaço editorial; terceiro, a linguagem é “entendível”, i.e. o que pensam é o que escrevem e não se prestam a arredondamentos; quarto, ao escrever sob o anonimato não se encontram sujeitos a limites e responsabilidades que sujeitam o jornalista.
Se quisermos entender o “anonimato” como uma forma de “clandestinidade”, não vem mal nenhum ao mundo. O domínio dos blogs e sites só não é ainda avassalador porque também ainda os denominados “info-excluídos” são regra e não a excepção.
A pobreza é um facto.
in O Rio nº229 de 4 de Dezembro de 2007, pp 7, por Vitor Mendes
Muito mais haveria a dizer mas o autor tem o tal problema da limitação do espaço, mas dentro da “imprensa séria” e local sempre é um dos melhores artigos que tem sido escrito — e nem é por um jornalista nem nada, ou se calhar por causa disso — do que os outros sobre os blogues e feitos à medidade certos interesses ou de interesses ainda menos claros e pouco locais.
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