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Is there a real reason for this blog to be here? We don’t know yet, but we will keep you posted. Existirá alguma razão para este blog estar aqui? Ainda não sabemos mas iremos mantê-los informados.

Vale a pena?

Volta breve só para vos deixar um artigo de reflexão interessante que por acaso apanhei na internet.

Fica então o artigo e um comentário no fim.

Vale a pena!

Para quem anda por aí, a tratar da sua pequena/média empresa, como são quase todas as que existem em Portugal 1, a cuidar dos filhos, porque neste Portugal deserto e infértil ainda há quem os vai tendo, e dando uma perninha aqui ou ali a favor de uma causa qualquer altruísta, o desencanto e a desilusão vão-se instalando, devagar, devagarinho, impondo a tristeza e a vontade de desistir.

São retratos pessoais, experiências que acontecem a todos, e todos os dias. De uma vez é a espera, do tamanho de uma manhã, na segurança social por um erro que a própria administração causou. Pedem-se desculpas, explica-se que dos sete funcionários três não estão, vá-se lá saber porquê, que a hora do almoço já nunca acontece, que o computador não funciona, que o sistema vai abaixo, que a colega do serviço A é que sabe do assunto, mas que hoje, foi só hoje, não pode atender. No guichet, à porta do serviço, sucedem-se as reclamações, porque se cobrou indevidamente, porque as guias estão trocadas, porque ficaram de mandar uma carta que nunca chegou, porque a conta foi penhorada mas tudo está pago, porque isto e aquilo. Não há cadeiras para todos, o ar condicionado não existe, e a espera eterniza-se. Valem os telemóveis, esse negócio do século ainda protegido de alguns, para ir despachando qualquer coisa, saber novidades e perguntar pelo filho doente.

À tarde, reunião na câmara. Passeia-se pelos corredores e não se acredita. São às toneladas os dossiers, as folhas desgarradas, os armários a deitar por fora, há papéis e mais papéis. Falando com os botões, dá vontade de perguntar se há alguma alma que saiba onde está o quê. Começa a reunião, os funcionários são diligentes, querem ajudar, mas sempre vão dizendo que o problema, o tal que me leva ali, já vem de trás, que agora a coisa está complicada, que a Lei não ajuda e que estão de pés e mãos atados. Percebem que a Câmara deveria ter percebido o problema a tempo, mas agora?

A talho de foice sempre deixam escapar que agora está tudo parado. A Judiciária anda por lá, quer ver tudo e um par de botas o que lhes toma o tempo que não têm, que não há chefes, nem directores, nem ninguém que se arrisque a propor grande coisa. “Olhe” dizem-me como quem dá uma boa notícia, “isto com jeitinho daqui a uns noves meses está resolvido”. E sempre se vai sabendo, sim porque nesta terra tudo se sabe, que há vereadores com mais de uma dezena de assessores, que ganham o dia quando percebem que há indícios de qualquer coisa que cheira a negócio escuro; o ideal para ficar de bem com a imprensa.

Regresso a casa, nos subúrbios, naquele exercício diário de paciência que faria Jó corar de inveja. E na conversa com os filhos fica-se a saber que a professora de filosofia teima em não aparecer, que se prepara uma greve, estimulada pelos professores, a contestar as aulas de apoio, ou que se prepara a enésima versão da gramática portuguesa, ou que o amigo foi assaltado mas a polícia diz que não pode fazer nada porque o ladrão, conhecido e reconhecido é menor e, coitado, vem de uma família desestruturada, como agora se diz. Proíbe-se a telenovela aos mais novos, mas a mais velha, que já conquistou direitos, e assiste. E, olhando de relance, percebe-se que o enésimo capítulo é sobre uma jovem, de 15 anos, que “tranzou”, ao que a médica responde: “Oba, que bom, mas você tem de tar preparada. Toma, leva umas camisinhas para a próxima tar relaxada.”

À noite são os telefonemas. É preciso arranjar dinheiro para aqueles que ainda vão fazendo alguma coisa pelos outros. Tarefa difícil e que regra geral acaba sempre nos mesmos, os que ainda, e sempre, dão. Muitos destes donativos não contam para o IRS, e a segurança social está doidinha para cortar nos magros subsídios que ainda dispensa, argumentando com a capacidade da organização em sacar dinheiro à sociedade civil, como chama aos generosos de serviço.

Mas é no fim do dia, quando se percebe que estamos aqui, mas não somos daqui. Que afinal de contas o melhor está para vir, e que antes de nós, e depois de nós, muitos houve e muitos virão que continuarão a dizer, a escrever, e a berrar se for preciso, que somos, apesar de tudo, felizes há dois mil anos.

Só por isso, e só por causa disso.

in Vale a pena! por Pedro Vassalo

Eu, ao contrário do crente autor do artigo, pergunto-me antes, se lendo tudo o que ele escreveu, e comparando com um outro artigo do mesmo sítio, realmente ainda vale a pena Portugal?

Se em cima mudarmos «Para quem anda por aí, a tratar da sua pequena/média empresa, como são quase todas as que existem em Portugal»1 por «Para quem anda por aí, a trabalhar numa qualquer pequena/média empresa, como são quase todas as que existem em Portugal» abrangemos a maior parte dos portugueses; os patrões e os empregados. E a tristeza deste artigo ainda se torna maior!

Aos crentes numa qualquer religião sempre lhes sobra a crença de que algo melhor os espera.
Aos outros, nada, ou somente a vontade de se irem embora. E muitos estão a ir.

1 Comment | say something

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  1. Outros hibernam que é para não se chatearem mais.
    Antes urso que…

    Comment by Mário da Silva — October 30, 2007 @ 3:49 am

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