Gastos com Software da Administração Pública: os números
Em Maio de 2005 o PCP enviou um requerimento ao Ministério das Finanças e ao da Administração Interna sobre o custo de utilização de software proprietário no Estado Português:Na mesma página podem encontrar as respostas dos ministérios. Resumindo, segundo o Ministério das Finanças, os valores de 2004 para o Estado e Serviços e Fundos Autónomos:
Equipamento informático: 133,7 M€
Software: 68,1 M€Do Ministério da Administração Interna ficamos a saber que o último inquérito (à data da resposta) à Utilização de Tecnologias de Informação e da Comunicação na Administração Pública indicava que “9% das instalações de software utiliza software livre e que a percentagem em computadores pessoais é inferior a 1%, podendo neste último caso existir um enorme potencial de poupança“.
Terá aumentado ou diminuído essa percentagem de uso de Software Livre?
Fará sentido despedir pessoas e depois gastar SESSENTA E OITO MILHÕES de EUROS em software quando se poderia gastar ZERO EUROS (ou muito perto disso)?
Isto já não vai lá nem à bomba!
Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, – reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta (...)Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta ate à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados (?) na vida intima, descambam na vida publica em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na politica portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro (...)
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do país, e exercido ao acaso da herança, pelo primeiro que sai dum ventre, – como da roda duma lotaria.
A justiça ao arbítrio da Politica, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas;
Dois partidos (...), sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes (...) vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se amalgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, – de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar (...)
Guerra Junqueiro, in “Pátria”, escrito em 1896
CENTO E ONZE ANOS (111) e estamos na mesmissíma merda.



















