Interrupção Voluntária da Sensatez
Este artigo do Ludwig Krippahl vai mesmo de encontro ao que eu senti ao vêr o outro debate de ontem na Televisão Pública. Cada dia aquela porcaria de televisão está pior e mais instrumentalizada pelo poder vigente.
Do pouco que vi irritou-me a sobranceria e agressividade gratuita da menina do Bloco e foi bastante elucidativa a posição pró Liberalização Total do IVG do outro senhor advogado do qual nem retive o nome.
Devo dizer que o outro advogado—do qual eu também não fixei o nome que eu não sou faccioso nessas coisas de memória para nomes—me surpreendeu, e muito, pela positiva.
A minha opinião geral da coisa já está escrita por isso falo à vontade.
Então este é o extracto que retirei do que ele comenta do Prós & Contras emitido um dia ou dois antes:
Ontem comecei a ver o debate na RTP-1. Não aguentei. Era treta demais até para um aficcionado da treta. O Vital Moreira começa por dizer que se deve despenalizar porque a sociedade não condena quem aborta até às 10 semanas, e pergunta se alguém ali denunciaria uma mulher da família, amiga, ou conhecida que soubessem ter abortado. Parecia o Wilberforce antes da resposta de Huxley, e eu disse logo ao José Pedro Aguiar o que devia dizer.Se uma mulher abortasse um filho meu, eu denunciava. Se quisesse abortar um filho meu, eu dizia-lhe que a denunciava. E antes de ter relações sexuais com uma mulher deixava bem claro que sou totalmente contra que matem os meus filhos, seja em que idade for. Mais, o artigo 203º do Código Penal Português diz:
«Quem, com ilegítima intenção de apropriação para si ou para outra pessoa, subtrair coisa móvel alheia, é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa.»
Ora eu nunca denunciaria um familiar, amigo, nem mesmo um desconhecido, que roubasse um chocolate no supermercado. A sociedade em geral não exige punição para esses crimes, e deve ser muito raro ir parar à cadeia por roubar um chocolate. Mas nem mesmo assim eu votava sim à despenalização do furto até 10 euros por opção de quem rouba. Por muito pouco valor que a sociedade dê a um chocolate, e por muita relutância que haja em punir certos crimes, é bom que a lei deixe bem claro que há coisas que não se faz só porque se quer. (...)
O resto é lêr lá. E então os comentários são fantásticos. É a treta costumeira de acharem que os outros são tão hipócritas como eles mesmos e que não são pessoas para se manterem fieis aos seus ideias, mesmo que não vão na linha corrente do facilitismo e do utilitarismo de tudo e de todos.
Ainda bem que existe televisão por cabo e que eu ainda sou dos que têm dinheiro para a pagar.
Já agora dêem uma olhada no Margens de Erro.
Estatísticas bem interessantes e entusiasmantes.
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